Um passeio agradável com o cão começa pela escolha de guia e coleira adequadas

A prática regular de atividades físicas proporciona resultados positivos nos principais aspectos da vida e do corpo do ser humano. Uma simples caminhada diária de 30 minutos pode reduzir a depressão, o estresse e a ansiedade; prevenir obesidade e diabetes, além de favorecer o emagrecimento e promover o ganho de massa magra.
Se os exercícios físicos são importantes para o ser humano, não deve ser diferente para os cães, que já fazem parte da vida da maioria das pessoas.  A falta de exercícios faz com que os cães fiquem estressados, agitados ou entediados e, em alguns casos, gera obesidade ou agressividade, por conta da ociosidade e da falta de contato com o mundo externo.
Para o especialista em comportamento canino Ricardo Tamborini, praticar atividade física com o cão faz com que ele fique mais cansado e, consequentemente, mais calmo. Os exercícios são responsáveis por manter em dia a saúde física e psicológica do animal. Além disso, os passeios são extremamente importantes para a socialização, pois durante as caminhadas e idas a praças ou parques, o cão terá contato com outros cães e pessoas.

Tamborini recomenda 30 minutos de passeio diário com o cão, pois, se houver excesso na atividade, o passeio pode ser prejudicado. “Fazer longas caminhadas por uma hora ou mais faz com que o cão se canse mais do que o necessário e, consequentemente, fará com que ele deixe de apreciar o passeio, associando as longas caminhadas com o dono a algo extremamente cansativo e estressante”, explica.

O especialista recomenda dar início à rotina de atividades e passeios de preferência quando o cão ainda é filhote, por volta dos quatro ou cinco meses, período em que é aplicada a última dose das vacinas, que garantirão a saúde do animal e evitarão que ele seja acometido por algum tipo de virose ao ter contato com a rua.

Outro ponto importante observado por Tamborini é o tipo de acessório utilizado na condução do animal durante o passeio. Além de garantir a segurança, ele deve ser adequado ao tamanho e peso do cão, já que cada um é projetado com propósito e função específicos.

Conheça alguns acessórios e a sua correta finalidade:

Peitoral ou coleira de peito. Esse equipamento foi inventado para que os animais de tração (cavalos, ou gados)pudessem arrastar objetos pesados sem se ferir. Por isso, não é o mais indicado para passeios e caminhadas. Devido à concentração de força no peito do cão, a tendência é que ele queira puxar cada vez mais em vez de andar ao lado do dono.

O uso do peitoral é indicado para situações específicas, como o transporte do cão no carro, onde o acessório é acoplado ao cinto de segurança; em animais com problema de coluna ou quadril e para os donos que andam de bicicleta, skate ou patins, em que o cão puxa o seu condutor.

Guia e coleira. A coleira é indicada para cães que já fazem passeios e não causam transtornos ao condutor. Recomenda-se o uso em filhotes logo nos primeiros meses de vida para que se acostumem ao material que irão usar durante seus passeios.

Deve-se evitar o uso em algumas ocasiões, por exemplo, quando o animal está no quintal de casa. Prender o acessório ao cinto de segurança do carro ou praticar atividades, como andar de bicicleta, com o cão usando a coleira e a guia para puxar o dono, também pode acarretar lesões sérias ao animal.

Guia de contenção unificada. É uma junção do colar de contenção com uma guia, com a grande vantagem de ser um material leve. Foi inventado para imitar duas correções naturais que toda mãe aplica em seus filhotes, logo nas primeiras semanas de vida, já que o“apertar” e “desapertar” do colar imitam a mordida da mãe no filhote. Os toques e trancos dados com a guia imitam o contato que a mãe faz com o filhote, batendo o focinho em seu dorso ou pescoço, quando ele a machuca ou faz algo que ela desaprova. 

Dicas do especialista

Após a escolha do material apropriado, é necessário fazer a adaptação do cão. Esse processo deve ser iniciado dentro de casa ou no quintal, de preferência com o cão ainda filhote, que aprende com mais facilidade. Cães adultos também podem aprender a andar na rua sem puxar, mas o dono precisará de um pouco mais de paciência.

Para fazer o cão assimilar o acessório de passeio a algo agradável, ofereça-lhe algum tipo de recompensa (petisco, brinquedo, carinho). Repita isso algumas vezes e, em pouco tempo, ele ficará feliz quando colocar-lhe o acessório.

Assim que o cão estiver adaptado ao material, ensine-o primeiramente a andar sem arrastar. Inicie o passeio com passos curtos, em casa, na rua ou em algum parque próximo. Toda vez que o cão puxar ou for para o lado errado, dê um leve toque na guia e diga “Não”, mudando a direção rapidamente.  Faça isso todas as vezes que ele puxar ou errar.

Recompense-o sempre que estiver caminhando direito (sem puxar), brincando com ele ou oferecendo-lhe uma recompensa. Isso fará com que ele queira andar constantemente ao seu lado por dois motivos bem simples: se puxar leva uma bronca e um toque na guia, e se andar direito ganha petiscos e carinho.

Se os donos tiverem muita dificuldade, devem procurar a ajuda de um profissional adestrador, especialista em comportamento canino.

 

Posted in Dicas de adestramento, Matérias e entrevistas and tagged , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , .